quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Hábito da leitura chega ao Campo Limpo de bicicleta

Olha que legal pessoal!

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo (06 de setembro de 2009)

Parece uma típica banca de livros, montada ao lado de um ponto de ônibus movimentado no Campo Limpo, zona sul da capital paulista. "Aqui, meu senhor, pega esse livrinho, é só levar, vai", oferece Luan de Jesus, o atendente. "Quanto custa?", retruca o senhor, imediatamente se esquivando. Em resposta, apenas um sorriso.

Foi no ponto de ônibus na Avenida Carlos Lacerda, na frente do CEU Campo Limpo, que Robson Padial, o Binho - figura conhecida, criador do Sarau do Binho, frequentado pela vanguarda da cultura periférica paulistana -, começou, humilde, a empreitada de "levar livros aos cantos da cidade". Há duas semanas, lançou o projeto Bicicloteca: No Meio do Caminho Tinha um Livro, no qual oferece, de graça, livros a quem não tem acesso a eles. "O cidadão tem de tropeçar no livro. Assim, não larga mais", disse, orgulhoso da criação.

O nome entrega: trata-se de uma biblioteca sobre rodas, iniciativa pioneira na capital - em duas cestas adaptadas na bicicleta de carga, leva cerca de 400 livros, distribuídos a quem quiser. Basta deixar nome, telefone e compromisso de que o devolverá após o fim da leitura.

Nas proximidades dos dois pontos em que foram instaladas as magrelas, perto do CEU e de uma escola pública do bairro - de 191 mil habitantes e duas bibliotecas municipais -, a novidade faz sucesso. Principalmente para quem precisa. Na casa do menino Ederson Santos, de 11 anos, simplesmente não há livros - apenas um único gibi, presente de um vizinho. "Carrego na mochila, para não perder nunca." Estudante da 5ª série, na semana passada pegou o primeiro Monteiro Lobato. "Que capa bonita!", exclamava o garoto, com olhos arregalados. "Vai ser o primeiro de muitos."

Até aqui, 600 livros foram emprestados, cerca de 40 por dia. O acervo, de 4 mil livros, foi conseguido com doações. "Tive a ideia numa ?caminhada literária? até Cananeia. Passávamos de porta em porta, distribuindo livros, então compramos uma bicicleta para carregar", conta Binho. "Aí, deu o estalo."

Além de difundir literatura, as biciclotecas acabam suprindo lacunas. "Procurei na biblioteca da escola um livro sobre cometas, mas não tinha nada. Não imaginava encontrar aqui, antes de pegar o ônibus", disse a estudante Anizia Santos, de 18 anos,com o livro Cometas: da Noite à Ciência nas mãos.

A bicicloteca ficará nos pontos de ônibus da Avenida Carlos Lacerda (nº 678) e da Estrada do Campo Limpo (nº 1.600) por pelo menos seis meses. "O ideal é conseguir apoio para mais bicicletas circularem", disse Binho. "Esse é o sonho, para transformar pela literatura." A conta gotas, está conseguindo: o senhor do início da história, o carpinteiro Antônio Rosa, de 43 anos, que nunca entrou em biblioteca na vida, dessa vez levou o livro Modo de Produção Feudal, de Jaime Pinky - deve ser útil para pesquisa de história, lição de casa no supletivo que cursa.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Plano de educação da cidade de São Paulo

Folha de São Paulo - 13 de agosto de 2009

Tendências/ Debates

Um plano de educação para a cidade de SP

MARIA ALICE SETUBAL

Nosso objetivo central é o de mobilizar os diversos setores para a discussão dos problemas e caminhos para melhorar a educação

NOS PRÓXIMOS dias 15 e 16 de agosto, será lançado oficialmente o Plano de Educação da Cidade de São Paulo, durante a Conferência Municipal de Educação.
Entre suas definições, reunidas em um documento-base, estão previstas várias etapas de mobilização com a participação de educadores na discussão de diretrizes de médio e longo prazo para a educação da cidade.
Sem dúvida, trata-se de um processo inovador, que busca envolver os diversos setores da sociedade em torno do compromisso de alcançar uma educação de qualidade para todos.
Os planos municipais e estaduais de educação são documentos orientadores de políticas de educação, que fixam metas decenais para a melhoria da qualidade e do acesso ao direito à educação.
Desde 2001, com a promulgação do Plano Nacional de Educação, os municípios e Estados brasileiros têm como tarefa elaborar seus planos de educação. A construção de planos de educação também está prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (lei 9.394/96) e na Constituição Estadual de São Paulo.
Apesar disso, até hoje a cidade de São Paulo não conta com um plano.
Há muitos anos, a construção desse plano é também uma reivindicação de vários fóruns de educação e movimentos sociais que atuam na cidade. A elaboração participativa pode se constituir num processo de influência da sociedade civil da cidade na definição de políticas educacionais.
O documento resultante do processo deve orientar o planejamento das políticas de educação a médio e longo prazo. Planejamento não só da rede municipal mas também do conjunto das redes estadual e federal e das escolas vinculadas à iniciativa privada.
Outro fator fundamental nesse processo é a continuidade. Por ser um plano decenal com força de lei, ele contribui para o enfrentamento da perversa descontinuidade das políticas e possibilita ainda a articulação de questões significativas do cotidiano das escolas e comunidades com a definição de metas e estratégias de políticas públicas.
A propósito, essa conquista nasceu de reivindicações coletivas, pois, desde 1999, em resposta à pressão de fóruns, organizações e sindicatos ligados à educação, várias iniciativas de gestores(as) e vereadores(as) tentaram impulsionar o processo de construção do plano na cidade de São Paulo -sem, no entanto, obter sucesso.
Em 2007, o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, manifestou ao Grupo de Trabalho de Educação do Movimento Nossa São Paulo o interesse em articular um processo de construção participativa do plano municipal para 2008, como reivindicado pelo movimento e por outras entidades da sociedade civil.
Em março e abril de 2008, o grupo de trabalho organizou duas reuniões com os sindicatos de educação da cidade e uma reunião pública para elaboração de uma proposta de metodologia e cronograma de construção do Plano de Educação da Cidade de São Paulo, para instaurar um processo amplo e participativo, que mobilizasse e fosse significativo para os diferentes setores da sociedade civil e que comprometesse o poder público com sua elaboração e implementação.
Nosso objetivo central é o de mobilizar as escolas, as comunidades e os diversos setores para a discussão dos problemas e caminhos para melhorar a educação na cidade.
Com o lançamento do documento-base do plano no próximo final de semana, iniciam-se as próximas etapas, com discussões nas escolas e comunidades escolares, seguidas de um processo de plenárias nos distritos, elaborado pela comissão executiva do plano, com colaboração dos fóruns de educação já existentes na cidade.
Prevê-se para maio de 2010 a discussão final do plano, durante a Conferência de Educação da Cidade de São Paulo, e posterior encaminhamento para aprovação na Câmara Municipal e Assembleia Legislativa.
Esse é, portanto, um momento de importância fundamental para a conquista de uma educação de qualidade. É o momento de a cidade de São Paulo demonstrar, por meio da participação, sua prioridade concreta nos rumos da educação de nossas crianças e jovens como uma condição necessária para alcançarmos uma sociedade mais justa e sustentável.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Metodologia

Este é um trecho de um texto publicado pela Agência Judaica, escrito pelo Yoel Schvartz. Fala sobre a educação judaica não formal no contexto dos movimentos juvenis. Retirei só o capítulo sobre a metodologia:

2. O Enfoque Metodológico

Quais são, então, as características que permitiram ao movimento
juvenil judaico-sionista atuar como um profundo fator de efervescência
e mudança na sociedade judaica?
O pesquisador Reuven Kahane reconhece algumas dimensões da
educação não-formal que representariam a base da experiência
educativa dos movimentos:
1. Incorporação livre e voluntária: ninguém é obrigado a participar
das atividades de um movimento. Os valores e a disciplina interna
podem até ser mais rígidos do que na educação formal (já foram, na
época em que o movimento clássico participava ativamente da
colonização e defesa do Estado de Israel), mas estão baseados no
consenso interno e na voluntariedade de pertinência.
2. Moratória: sociólogos definem a moratória como um processo de
adiamento das responsabilidades adultas, o que permite ao
adolescente assumir compromissos que, segundo a sociedade geral,
estão além das suas capacidades. A moratória é o espaço para errar e
recomeçar, sendo que no movimento as atividades são controladas
por pessoas da mesma idade e na mesma situação.
3. Estrutura dupla: os movimentos juvenis são expressão da situação
particular de transição do adolescente entre o espaço familiar e a
sociedade adulta. Por tanto, o movimento se caracteriza pela
convivência de dois (ou mais) tipos de normas. O movimento é
vivenciado pelos chaverim também como um espaço relacional
(grupo de amigos) e também como um espaço de expressão e
discussão de valores e aceitação de compromissos ideológicos,
normas de conduta e códigos de responsabilidade. A convivência
dessas duas percepções permite um alto grau de flexibilidade na
relação do jovem com o movimento, e contribui no seu dinamismo
interno.
4. Atividades multidimensionais: a criança e o adolescente podem, no
movimento juvenil, testar as suas capacidades em diversas
dimensões: intelectual, esportiva, artística, social, criativa,
compromisso com valores, amizade, valentia, etc., sem que exista
uma real hierarquia de dimensões, diferente da educação formal
onde todas as dimensões estão presentes, mas a dimensão
intelectual-individual prevalece.
5. Simetria: como toda organização, existe nos movimentos juvenis
uma hierarquia entre os membros, mas essa hierarquia é relativa e
freqüentemente contestada. Tanto do ponto de vista legal como de
aceitação das regras internas, todos os membros são chaverim com
os mesmos compromissos e direitos. O próprio caráter voluntário do
movimento cria uma simetria entre os membros e uma real
possibilidade de cada um deles de influir e mudar os processos
internos do grupo.
6. Expressividade ativa e atratividade: diferentemente de um espaço
de recreação, onde os participantes consomem atividades preparadas
para eles, no movimento juvenil cada chaver participa de uma ou
outra forma na criação do conteúdo do que se faz. Essa
expressividade de cada um contribui na atratividade do movimento,
já que este é percebido como um espaço de expressão em contato
aberto com outros pares.
7. Desenvolvimento do compromisso com valores: a simetria e a
expressividade do movimento juvenil são a base da sua capacidade
para desenvolver uma consciência ética e um compromisso com
valores. A idéia de uma moralidade universal é mais facilmente
incorporável numa realidade simétrica, onde as normas são validas
para todos os participantes, onde os conceitos de reciprocidade e
justiça tem uma aplicação concreta e quotidiana. A exigência de
cooperação no movimento desenvolve na criança uma visão mais
universal e menos egocêntrica, um melhor conhecimento dos limites
e as diferenças de personalidade e uma consciência mais clara da
própria autonomia e da autonomia dos outros, todos estes
elementos indispensáveis para a formação de uma ética pessoal.
Essas dimensões caracterizam também um alto grau da autonomia
do movimento juvenil. Essa autonomia é, na opinião de Kahane, o
principal motivo de tensão nos movimentos, já que tanto ao nível da
sociedade adulta, como dos próprios bogrim (egressos) do movimento
existe uma tendência constante de limitar essa autonomia, tanto para
manter um modelo de movimento nos seus moldes conhecidos como
para usar a energia e vitalidade do movimento com objetivos
organizacionais que tem mais a ver com a realidade e os objetivos do
mundo adulto. Se é possível falar em crise do modelo do movimento
juvenil, essa crise é provocada principalmente pelas tentativas de limitar
a autonomia dos movimentos e a fixação de parâmetros de ação por
fatores externos ao próprio movimento.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Proposta real

Povo,
Eu não sei...
Aliás, eu sei.

Eu acredito em uma coisa: educação não formal. E levaria este projeto a sério. E quero levar.
Então, para mim, tudo isso, toda discussão, estudo e cia, tem um objetivo final:

Criar uma colônia de férias que trabalhe educação não formal para jovens de 6 a 16 anos. É isso?

Não estaremos atrelados a nenhuma instituição. Seremos a nossa própria instituição.

Tendo isso explicitado e com consentimento de todos, proponho que comecemos a trabalhar em nós mesmos, que comecemos a pensar no queremos, onde iremos chegar, e o que precisamos.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Active Learning

Olá pessoal!
Venho acompanhando o blog, ainda não consegui explorar todo o site que o Dan mandou...
Vendo uns materiais sobre liderança que recebi, cheguei numa página bastante interessante, que trabalha o conceito de "active learning": http://reviewing.co.uk/index.htm. Tem algum material sobre o ciclo de Kolb (http://reviewing.co.uk/research/learning.cycles.htm), inclusive algumas críticas a sua teoria. O site exige um pouco de paciência, pois é meio bagunçado...
Fica a dica!
Beijos

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Secretaria de Educação/ SP

Para acompanhar as políticas públicas de educação na cidade de São Paulo...


Blog do secretário - http://aschneider.wordpress.com/

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Educação formal e Educação Não Formal

Pessoas, seguindo a ideia de postar umas fontes de educação não formal judaica, coloco mais um. Peço desculpas porque ele faz parte de um texto maior (muito grande pra postar aqui), então quem quiser me avisa que eu mando o texto todo. Ele fala antes sobre educação Formal, Educação Não Formal e Educação Informal. Mas acho que vale começarmos por esse por ser de diferenciação. Depois podemos nos aprofundar em cada uma delas.
Comentem!

EDUCAÇÃO FORMAL E NÃO FORMAL

Por Jayme Fucs-Bar

EXISTEM DOIS TIPOS DE EDUCAÇÃO
Não existe nesses dois tipos de modelos duas educações diferentes, existe uma só educação na qual o objetivo geral é a socialização do indivíduo.
Os dois modelos não só vêm a compensar um ao outro como também ampliar o campo de aprendizagem.
A QUEM CABE A RESPONSABILIDADE NA EDUCAÇÃO?
Tanto o colégio como os centros comunitários ou os variados órgãos existentes, têm uma forma única de reafirmar a responsabilidade da sociedade na educação dos seus indivíduos. Sem dúvida nenhuma a ampliação e o fortalecimento da educação está ligado diretamente a verbas qualificadas. O perigo da educação de se formar elitista é muito grande, e a forma de garantir que todas as camadas da sociedade possam participar desse processo amplo de educação como uma prioridade nacional.
EXEMPLO ISRAELENSE DE ATUAÇÃO CONJUNTA: COLÉGIO SAFIT- KFAR MENACHEM
Safit é um colégio secundário, onde a maioria de seus alunos são de Kibutzim e Moshavim e olim de Kiriat Malachi. O colégio Safit está dividido em duas formas de atividades como colégio obrigatório que funciona no turno da manhã e colégio interno voluntário no turno da tarde e noite.
AS NORMAS:
O colégio obrigatório está baseado nas normas do ensino nacional, sendo fiscalizado pelo ministério da educação. Seus objetivos visam a competição e aquisição da Bagrut ( vestibular ), tendo atividades de profissionalização para educados que não conseguem acompanhar o ritmo das exigências.
O ENSINO:
O colégio usa de vários meios para ampliar a qualidade de seu ensino como biblioteca, sala de leitura, educação especial, orientadora educacional, orientador para cada turma... Os alunos têm obrigações, deveres e direitos claros e específicos, o colégio obrigatório é dirigido por uma diretoria de ensino.
A EDUCAÇÃO NÃO FORMAL DENTRO DO COLÉGIO:
Na parte da tarde o colégio se torna voluntário, com atividades difusas amplas não obrigatórias.Em Safit o colégio voluntário funciona 3 vezes por semana e as atividades existentes são: cursos, música, esporte, atividades culturais, trabalhos na estufa, passeios, atualidades e etc. As atividades são organizadas pelos educados junto com os orientadores e coordenada por um coordenador da educação.
OBJETIVOS UNIFICADOS:
Os objetivos são de criar uma comunidade juvenil onde os jovens assumam de certa maneira a responsabilidade da comunidade, como na participação das vaadot de trabalho de manutenção como limpeza, jardinagem, organização de atividades e etc.
Os dois modelos se compensam entre si e estão dentro de uma visão educacional única, vindo inclusive a atender as novas necessidades do Movimento Kibutziano.
A RELAÇÃO ENTRE OS DOIS MODELOS:
Esses dois modelos procuram constantemente manter a harmonia e o equilíbrio, pois a tensão faz parte do seu dinamismo. Em Safit o conflito e a tensão existentes ocorre principalmente nas turmas de pré vestibular e vestibular, que de um lado precisam usar a energia para as provas de Bagrut e do outro liderar a comunidade juvenil.
RELAÇÃO PROFISSIONAL:
Na dinâmica do colégio se vê a clara posição entre os professores que exigem e dão como prioridade os estudos e do coordenador do centro comunitário que dá prioridade as atividades sociais. A função da diretoria nesse caso é de suma importância, é ela que vai manter o equilíbrio necessário nos casos de conflito.A discussão é algo inevitável e é ela que cada vez mais ajuda a aprimorar os dois modelos num mesmo campo de ação.