sexta-feira, 24 de julho de 2009

Metodologia

Este é um trecho de um texto publicado pela Agência Judaica, escrito pelo Yoel Schvartz. Fala sobre a educação judaica não formal no contexto dos movimentos juvenis. Retirei só o capítulo sobre a metodologia:

2. O Enfoque Metodológico

Quais são, então, as características que permitiram ao movimento
juvenil judaico-sionista atuar como um profundo fator de efervescência
e mudança na sociedade judaica?
O pesquisador Reuven Kahane reconhece algumas dimensões da
educação não-formal que representariam a base da experiência
educativa dos movimentos:
1. Incorporação livre e voluntária: ninguém é obrigado a participar
das atividades de um movimento. Os valores e a disciplina interna
podem até ser mais rígidos do que na educação formal (já foram, na
época em que o movimento clássico participava ativamente da
colonização e defesa do Estado de Israel), mas estão baseados no
consenso interno e na voluntariedade de pertinência.
2. Moratória: sociólogos definem a moratória como um processo de
adiamento das responsabilidades adultas, o que permite ao
adolescente assumir compromissos que, segundo a sociedade geral,
estão além das suas capacidades. A moratória é o espaço para errar e
recomeçar, sendo que no movimento as atividades são controladas
por pessoas da mesma idade e na mesma situação.
3. Estrutura dupla: os movimentos juvenis são expressão da situação
particular de transição do adolescente entre o espaço familiar e a
sociedade adulta. Por tanto, o movimento se caracteriza pela
convivência de dois (ou mais) tipos de normas. O movimento é
vivenciado pelos chaverim também como um espaço relacional
(grupo de amigos) e também como um espaço de expressão e
discussão de valores e aceitação de compromissos ideológicos,
normas de conduta e códigos de responsabilidade. A convivência
dessas duas percepções permite um alto grau de flexibilidade na
relação do jovem com o movimento, e contribui no seu dinamismo
interno.
4. Atividades multidimensionais: a criança e o adolescente podem, no
movimento juvenil, testar as suas capacidades em diversas
dimensões: intelectual, esportiva, artística, social, criativa,
compromisso com valores, amizade, valentia, etc., sem que exista
uma real hierarquia de dimensões, diferente da educação formal
onde todas as dimensões estão presentes, mas a dimensão
intelectual-individual prevalece.
5. Simetria: como toda organização, existe nos movimentos juvenis
uma hierarquia entre os membros, mas essa hierarquia é relativa e
freqüentemente contestada. Tanto do ponto de vista legal como de
aceitação das regras internas, todos os membros são chaverim com
os mesmos compromissos e direitos. O próprio caráter voluntário do
movimento cria uma simetria entre os membros e uma real
possibilidade de cada um deles de influir e mudar os processos
internos do grupo.
6. Expressividade ativa e atratividade: diferentemente de um espaço
de recreação, onde os participantes consomem atividades preparadas
para eles, no movimento juvenil cada chaver participa de uma ou
outra forma na criação do conteúdo do que se faz. Essa
expressividade de cada um contribui na atratividade do movimento,
já que este é percebido como um espaço de expressão em contato
aberto com outros pares.
7. Desenvolvimento do compromisso com valores: a simetria e a
expressividade do movimento juvenil são a base da sua capacidade
para desenvolver uma consciência ética e um compromisso com
valores. A idéia de uma moralidade universal é mais facilmente
incorporável numa realidade simétrica, onde as normas são validas
para todos os participantes, onde os conceitos de reciprocidade e
justiça tem uma aplicação concreta e quotidiana. A exigência de
cooperação no movimento desenvolve na criança uma visão mais
universal e menos egocêntrica, um melhor conhecimento dos limites
e as diferenças de personalidade e uma consciência mais clara da
própria autonomia e da autonomia dos outros, todos estes
elementos indispensáveis para a formação de uma ética pessoal.
Essas dimensões caracterizam também um alto grau da autonomia
do movimento juvenil. Essa autonomia é, na opinião de Kahane, o
principal motivo de tensão nos movimentos, já que tanto ao nível da
sociedade adulta, como dos próprios bogrim (egressos) do movimento
existe uma tendência constante de limitar essa autonomia, tanto para
manter um modelo de movimento nos seus moldes conhecidos como
para usar a energia e vitalidade do movimento com objetivos
organizacionais que tem mais a ver com a realidade e os objetivos do
mundo adulto. Se é possível falar em crise do modelo do movimento
juvenil, essa crise é provocada principalmente pelas tentativas de limitar
a autonomia dos movimentos e a fixação de parâmetros de ação por
fatores externos ao próprio movimento.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Proposta real

Povo,
Eu não sei...
Aliás, eu sei.

Eu acredito em uma coisa: educação não formal. E levaria este projeto a sério. E quero levar.
Então, para mim, tudo isso, toda discussão, estudo e cia, tem um objetivo final:

Criar uma colônia de férias que trabalhe educação não formal para jovens de 6 a 16 anos. É isso?

Não estaremos atrelados a nenhuma instituição. Seremos a nossa própria instituição.

Tendo isso explicitado e com consentimento de todos, proponho que comecemos a trabalhar em nós mesmos, que comecemos a pensar no queremos, onde iremos chegar, e o que precisamos.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Active Learning

Olá pessoal!
Venho acompanhando o blog, ainda não consegui explorar todo o site que o Dan mandou...
Vendo uns materiais sobre liderança que recebi, cheguei numa página bastante interessante, que trabalha o conceito de "active learning": http://reviewing.co.uk/index.htm. Tem algum material sobre o ciclo de Kolb (http://reviewing.co.uk/research/learning.cycles.htm), inclusive algumas críticas a sua teoria. O site exige um pouco de paciência, pois é meio bagunçado...
Fica a dica!
Beijos

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Secretaria de Educação/ SP

Para acompanhar as políticas públicas de educação na cidade de São Paulo...


Blog do secretário - http://aschneider.wordpress.com/

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Educação formal e Educação Não Formal

Pessoas, seguindo a ideia de postar umas fontes de educação não formal judaica, coloco mais um. Peço desculpas porque ele faz parte de um texto maior (muito grande pra postar aqui), então quem quiser me avisa que eu mando o texto todo. Ele fala antes sobre educação Formal, Educação Não Formal e Educação Informal. Mas acho que vale começarmos por esse por ser de diferenciação. Depois podemos nos aprofundar em cada uma delas.
Comentem!

EDUCAÇÃO FORMAL E NÃO FORMAL

Por Jayme Fucs-Bar

EXISTEM DOIS TIPOS DE EDUCAÇÃO
Não existe nesses dois tipos de modelos duas educações diferentes, existe uma só educação na qual o objetivo geral é a socialização do indivíduo.
Os dois modelos não só vêm a compensar um ao outro como também ampliar o campo de aprendizagem.
A QUEM CABE A RESPONSABILIDADE NA EDUCAÇÃO?
Tanto o colégio como os centros comunitários ou os variados órgãos existentes, têm uma forma única de reafirmar a responsabilidade da sociedade na educação dos seus indivíduos. Sem dúvida nenhuma a ampliação e o fortalecimento da educação está ligado diretamente a verbas qualificadas. O perigo da educação de se formar elitista é muito grande, e a forma de garantir que todas as camadas da sociedade possam participar desse processo amplo de educação como uma prioridade nacional.
EXEMPLO ISRAELENSE DE ATUAÇÃO CONJUNTA: COLÉGIO SAFIT- KFAR MENACHEM
Safit é um colégio secundário, onde a maioria de seus alunos são de Kibutzim e Moshavim e olim de Kiriat Malachi. O colégio Safit está dividido em duas formas de atividades como colégio obrigatório que funciona no turno da manhã e colégio interno voluntário no turno da tarde e noite.
AS NORMAS:
O colégio obrigatório está baseado nas normas do ensino nacional, sendo fiscalizado pelo ministério da educação. Seus objetivos visam a competição e aquisição da Bagrut ( vestibular ), tendo atividades de profissionalização para educados que não conseguem acompanhar o ritmo das exigências.
O ENSINO:
O colégio usa de vários meios para ampliar a qualidade de seu ensino como biblioteca, sala de leitura, educação especial, orientadora educacional, orientador para cada turma... Os alunos têm obrigações, deveres e direitos claros e específicos, o colégio obrigatório é dirigido por uma diretoria de ensino.
A EDUCAÇÃO NÃO FORMAL DENTRO DO COLÉGIO:
Na parte da tarde o colégio se torna voluntário, com atividades difusas amplas não obrigatórias.Em Safit o colégio voluntário funciona 3 vezes por semana e as atividades existentes são: cursos, música, esporte, atividades culturais, trabalhos na estufa, passeios, atualidades e etc. As atividades são organizadas pelos educados junto com os orientadores e coordenada por um coordenador da educação.
OBJETIVOS UNIFICADOS:
Os objetivos são de criar uma comunidade juvenil onde os jovens assumam de certa maneira a responsabilidade da comunidade, como na participação das vaadot de trabalho de manutenção como limpeza, jardinagem, organização de atividades e etc.
Os dois modelos se compensam entre si e estão dentro de uma visão educacional única, vindo inclusive a atender as novas necessidades do Movimento Kibutziano.
A RELAÇÃO ENTRE OS DOIS MODELOS:
Esses dois modelos procuram constantemente manter a harmonia e o equilíbrio, pois a tensão faz parte do seu dinamismo. Em Safit o conflito e a tensão existentes ocorre principalmente nas turmas de pré vestibular e vestibular, que de um lado precisam usar a energia para as provas de Bagrut e do outro liderar a comunidade juvenil.
RELAÇÃO PROFISSIONAL:
Na dinâmica do colégio se vê a clara posição entre os professores que exigem e dão como prioridade os estudos e do coordenador do centro comunitário que dá prioridade as atividades sociais. A função da diretoria nesse caso é de suma importância, é ela que vai manter o equilíbrio necessário nos casos de conflito.A discussão é algo inevitável e é ela que cada vez mais ajuda a aprimorar os dois modelos num mesmo campo de ação.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Ideias que deviam ser copiadas

Essa dá pra importar fácil: http://www.teachforamerica.org
Recomendo uma breve leitura na missão e tudo o mais.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Sim, crianças podem gostar de ler

Queridos,
Segue texto de Ignácio de Loyola Brandão, que saiu no Estado. Não tem tanto a ver com educação não formal, mas com mudar o país e acreditar, coisas que compartilhamos.
Depois comento os textos que o Fisberg deixou.
Beijos


SIM, CRIANÇAS PODEM GOSTAR DE LER
Ignácio de Loyola Brandão

A cada passo, o espanto. Por fora parecia uma Escola normal, o muro alto vedando a visão. Transposto o portão, o inesperado, a absoluta limpeza. Logo, outro assombro, não há uma só grade. Antes de começar a visita, fui ao banheiro. Imaculado. Desentendi. Não é uma Escola pública em um dos bairros mais afastados da capital do Piauí? Um dos mais violentos, abandonados? Não é uma Escola para alunos carentes, aqueles a quem a vida pouco dá, ao contrário, vai tirando, sugando? Nenhuma grade para proteger do mundo exterior, nenhum grafite nas paredes e nem uma janela quebrada. A admiração cresceria a cada passo, relevando-me a diversidade brasileira, nossas incoerências e contradições.Levado pelas diretoras Osana Morais e Ruthneia Costa, percorri classes, recebido por alunos sorridentes, de alto-astral, que me cantaram canções alegres. Já fui a muita Escola de periferia em São Paulo e pelo Brasil. alunos tristes, baixa autoestima, professores desiludidos, agredidos, humilhados. Instalações precárias, banheiros porcos, falta de carteiras, de material, paredes repletas de inscrições ininteligíveis, grades para evitar roubos e depredações, cozinhas precárias, merendas destinadas a fomentar subnutrição. Síntese do ensino brasileiro. Não nesta Escola chamada Casa Meio Norte! Tudo é diferente, e como!

Por que decidi vir, abandonando outros compromissos? Recém-chegado de Belém, ainda no aeroporto me disseram: "Nessa Escola, cada aluno lê entre 20 a 30 livros por mês." Loucura, impossível! Vamos lá, quero ver! Não acreditei, até chegar. Na Casa Meio Norte, na Cidade Leste, as crianças têm paixão por livros e pela escrita. Cada sala de aula tem uma sacola com 50 ou mais livros, não há uma biblioteca central. O livro faz parte do cotidiano. As crianças descobriram que, por meio da literatura, podem escapar da áspera realidade em que estão envolvidos e à qual fatalmente seriam conduzidos. Um presente sem futuro. Tornado futuro pela Escola, pela leitura e pela escrita.

Cidade Leste vive sob o domínio da violência, há todo tipo de foras da lei, do traficante ao ladrão, ao ladrãozinho, ao futuro ladrão. Esses meninos da Casa estariam destinados a se tornarem "mulas", transportando drogas, ou estariam nas ruas pedindo esmolas, roubando. Estariam soltos, abandonados, enviados à morte prematura. Há pais aqui que são do tráfico, da delinquência. Há quem não conheça o pai, há quem não saiba quem é sua mãe. Todavia, quando entramos e vemos aqueles rostos orgulhosos, sabemos, tudo indica, estão salvos. Nessa Casa comem quatro refeições por dia, quando o normal, fora dessas paredes, seria não comerem nada. Para ajudar a manter a Casa, o jornal Meio Norte, do Grupo de Comunicação Meio Norte, um dos principais de Teresina, entra com apoio, patrocina material e uma série de realizações. Acreditam que responsabilidade social pode gerar mudanças.

Assim que entrei, uma menina de 10 anos, Mariana Garcês apanhou o caderno e leu um poema. Depois me deu a folha. Autografada, claro!

Se você do vício conseguir sair feche a porta para eu não cair. Se você na Escola conseguir entrar deixe a porta aberta para eu passar.

Contei minha história, a do Menino Que Vendia Palavras, meu livro infantil. Revelei que também fui pobre, lia muito, escrevia. A guarda estava aberta, havia um ponto em comum, as privações da infância. A cada passo, um aluno queria me mostrar um texto. Numa das classes, Anderson, dos mais tímidos da Escola, encontrou coragem, me disse também um poema. Não conseguiu terminar, chorou de emoção. Todos queriam falar dos livros que leram, e foram tantos. A turma - são 680 alunos - lê mais do que muito universitário da USP ou da PUC, do que muito menino de classe média e média alta do ensino privado. Eles gostam de ouvir e de contar histórias. Muitos não sabem se verão o pai no dia seguinte, habituados ao cotidiano de violência que permeia lá fora. Muitos desses pais são aqueles que garantem a "segurança" da Casa Meio Norte. Certo dia, uma gangue de outro bairro roubou equipamentos. Quatro horas depois os equipamentos "estavam de volta", resgatados. Há um conceito diluído no ar: Não mexam com a Escola!

Muitas vezes, na reunião de pais e mestres, professores deparam-se com homens vestidos corretamente, camisas de mangas compridas para esconder tatuagens ou cicatrizes, participando, dando opinião, perguntando. Eles não querem que os filhos sejam como eles. E os filhos não querem ser. Essa Escola de ensino aplicado, que existe há dez anos, está realizando aquilo que todos desejam, e responde à pergunta que ouvimos pelo Brasil inteiro: como fazer a criança ler? Como tirá-las das ruas, dar identidade, ensinar cidadania? Aquela meninada sabe mais de cidadania do que muito ministro e milhares de parlamentares federais, estaduais, municipais, envolvidos em maracutaias sem fim.

Seminários, convenções, simpósios, debates de "alto nível", comissões de governo. Não tem adiantado ao longo de décadas. Basta vir a Teresina e conversar com os 28 professores da Casa, um grupo de abnegados apaixonados por livros, histórias, fantasia. Ainda que com o pé inteiro na realidade. Os olhos daquela gente são iluminados. Aqui entra o paradoxo, a estanha maneira pela qual tudo funciona no Brasil e que nenhum ministro, secretário, educador, técnico, profissional consegue alcançar entender. Soluções ao contrário, o mundo funcionando ao reverso. A rebours, diria Huysmans. Há o Brasil aparente e o Brasil oculto com pessoas admiráveis sobre as quais não cai um foco de luz e elas não precisam, são alimentadas por sonhos e ideais. Brasil que caminha.

Ignácio de Loyola Brandão é jornalista, escritor, roteirista de televisão e cronista do jornal O Estado de São Paulo.